terça-feira, outubro 04, 2011

Ponto de Vista



Sem exceção, tanto os grandes quanto os pequenos conflitos, tanto aqueles que nos causam grandes,  quanto àqueles que são sutis estão sempre ligados à diferença de pontos de vista. Lendo um texto interessante que faz alusão à obra Alice no país das Maravilhas, deparei-me com uma frase que saltou aos meus olhos: “Se você gosta de gato, experimenta o ponto de vista do rato”. Evidentemente, colocar-se no lugar do outro é tarefa árdua que exige alguns sacrifícios hercúleos: humildade e compaixão. Dois sentimentos que, na maioria dos casos são aprendidos a custa de muita dor. Lembro que na época em que estava na faculdade, um professor, que não lembro nem o nome, nem a disciplina que ele ministrava, mas lembro do ensinamento (o que é o mais importante) trouxe um novo conceito a respeito do ponto de vista, disse ele: “Ponto de vista é a vista que se tem do ponto”. Lição para sempre.
Dependendo do lugar em que você está situado, tem uma paisagem diferente. Se você está na beira da praia, talvez consiga ver o oceano até onde os olhos alcançam. Se estiver navegando, sua vista é outra. Se estiver de costas para o mar, o panorama é diverso.
E há ainda outros fatores que influenciarão no seu cenário: seu estado emocional, sua companhia, o seu pensamento. Há algumas paisagens que simplesmente não enxergamos devido à posição em que nos encontramos. O mais triste de tudo isto é que perdemos oportunidades únicas de visualizar outras faces do mesmo cenário. Abrimos mão da oportunidade de enxergar mais longe e apenas fechamos as portas para vislumbrar horizontes mais amplos. São os nossos pontos de vista, nossas opiniões que nos impedem de, pelo menos fazer uma tentativa, de compreender o outro, de colocar-se do outro lado. E há ainda os julgamentos que fazemos a respeito dos pontos de vista que não estão sob a nossa vista; por conta das nossas estreitas visões. Julgar o outro é como estar espreitando atrás da porta e rotular sem poder enxergar o todo. E muitas vezes, para não dizer todas, nos sentimos no direito de fazer isto.
E aí vêm os fracassos de relacionamento. Seguidos de frustração, raiva, ressentimento e mágoas. Sentimentos estes que se transformam em veneno na nossa corrente sanguínea. Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que o outro morra.
É hora de nos desprender das correntes que nos escravizam aos velhos paradigmas e antigos conceitos. É fundamental libertamo-nos dos julgamentos que nos aprisionam em sentimentos que corroem nossa alma. Como os pássaros, é chegado o momento de alçarmos voos mais altos para enxergarmos mais longe!
               


Um comentário:

Anônimo disse...

Em outras palavras, o mapa não é o território!
Muito bom seu texto!

Abs